A tabela nutricional mudou: como ler por 100 g, por porção e a lupa "ALTO EM"

Açúcares totais e adicionados, valores por 100 g e por porção e os limites que fazem aparecer a lupa preta na frente da embalagem.

Equipe Esse Pode4 min de leitura
Montinho de açúcar refinado sobre fundo preto

Se a embalagem de algum alimento na sua casa tem uma lupa preta com as palavras "ALTO EM", você já está olhando para a nova rotulagem nutricional brasileira. Ela entrou em vigor em outubro de 2022 e mudou a tabela, criou o selo frontal e endureceu as regras das alegações como "zero açúcar". Veja como ler.

As regras estão na RDC 429/2020 da Anvisa e na Instrução Normativa 75/2020, que traz os critérios técnicos.

A tabela agora tem duas colunas de referência

Tabela nutricional em chinês, com valores por 100 ml e percentual de referência
Tabela nutricional de um rótulo chinês, redesenhada, com valores por 100 ml. A base fixa é o que permite comparar produtos diferentes. Arte: Khu'hamgaba Kitap.

A mudança mais útil para quem compara produtos: a tabela deve trazer os valores por 100 g (ou 100 ml, para líquidos) e por porção, com a medida caseira correspondente, além do número de porções da embalagem.

  • Por 100 g serve para comparar produtos diferentes na mesma base.
  • Por porção mostra o que você come de fato — desde que a sua porção seja a do rótulo.

O %VD, o percentual dos valores diários, é calculado sobre a porção.

O que a tabela é obrigada a mostrar

A RDC 429/2020 lista o que precisa estar na tabela:

  • valor energético;
  • carboidratos;
  • açúcares totais;
  • açúcares adicionados;
  • proteínas;
  • gorduras totais, saturadas e trans;
  • fibra alimentar;
  • sódio.

A separação entre açúcares totais e açúcares adicionados é a grande novidade. O primeiro inclui o açúcar natural dos ingredientes, como o da fruta e o do leite. O segundo mostra só o que foi colocado — e, para a Anvisa, isso inclui mel, melado, rapadura, caldo de cana e xaropes. Os polióis, como eritritol e xilitol, ficam fora dessa conta.

A lupa "ALTO EM"

A rotulagem frontal é o símbolo de lupa, impresso em preto sobre fundo branco, na metade de cima da frente da embalagem. Ele é obrigatório quando o alimento sólido tem, por 100 g:

  • 15 g ou mais de açúcares adicionados;
  • 6 g ou mais de gorduras saturadas;
  • 600 mg ou mais de sódio.

Para líquidos, os limites caem pela metade: 7,5 g de açúcares adicionados, 3 g de gorduras saturadas e 300 mg de sódio por 100 ml.

A lupa pode aparecer para um, dois ou os três nutrientes. E quando ela aparece, as alegações nutricionais, como "fonte de fibras", não podem ficar na metade de cima da embalagem nem usar letras maiores que as da lupa.

Um doce sem açúcar pode ter lupa?

Pode. A lupa de açúcar olha só os açúcares adicionados — mas a de gordura saturada olha outra coisa. Um doce sem açúcar feito com chocolate, manteiga ou creme de coco pode passar de 6 g de gordura saturada por 100 g e ganhar a lupa por esse motivo.

É mais um motivo para ler a tabela inteira, e não só a alegação da frente.

Onde a lupa não é obrigatória

A própria RDC 429/2020 torna a rotulagem frontal opcional em alguns casos, entre eles:

  • embalagens com painel principal menor que 35 cm²;
  • alimentos embalados no ponto de venda a pedido do consumidor;
  • alimentos preparados e vendidos no próprio estabelecimento.

Ou seja: na doceria, na padaria e na confeitaria, a ausência da lupa não diz nada sobre o produto. Pergunte.

A tabela no nosso site

Na página de cada doce, mostramos uma tabela por porção e por 100 g, calculada ingrediente por ingrediente a partir da receita. Ela é informação de apoio — não é laudo de laboratório, e não segue o formato oficial completo da embalagem. Quando algum ingrediente ainda não tem tabela cadastrada, a página avisa que o cálculo está incompleto, em vez de mostrar um número que parece exato e não é.

Sobre as alegações que aparecem na frente das embalagens, escrevemos um artigo à parte: zero açúcar, sem adição, diet e light.

Fontes

Imagens