Tenho diabetes: o que olhar no rótulo além do açúcar

Sem açúcar não é sem carboidrato. A conta de carboidratos líquidos da Sociedade Brasileira de Diabetes, passo a passo, e o que conferir na tabela.

Equipe Esse Pode4 min de leitura
Mãos medindo a glicemia com um glicosímetro e uma fita encostada no dedo

"Tenho diabetes. Posso comer doce?" A resposta honesta é: depende do seu plano alimentar, do seu tratamento e de quem te acompanha. Mas existe uma parte da resposta que não depende de ninguém — ler direito o rótulo. E ela começa com uma virada de chave: sem açúcar não quer dizer sem carboidrato.

Este artigo informa; ele não substitui a orientação do seu médico ou nutricionista.

Açúcar é só uma parte do carboidrato

Na tabela nutricional, "açúcares" aparece como uma linha dentro de "carboidratos". Farinhas, amidos, frutas e o próprio chocolate contribuem com carboidratos mesmo quando não há açúcar nenhum na receita.

Um brownie sem açúcar, feito com farinha de amêndoas e cacau, pode ter poucos gramas de açúcares e ainda assim uma quantidade relevante de carboidratos. É por isso que olhar só a alegação "zero açúcar" conta metade da história.

O que a Sociedade Brasileira de Diabetes ensina

A contagem de carboidratos é uma das estratégias usadas no cuidado com o diabetes, e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) mantém um manual oficial sobre ela. O manual explica um conceito que aparece muito em produtos sem açúcar: os carboidratos líquidos.

Fibras e polióis: a conta que a SBD propõe

Barra de chocolate inteira, dividida em quadrados
Chocolate adoçado com xilitol. Sem açúcar não quer dizer sem carboidrato, e é nesse tipo de rótulo que a conta faz diferença. Foto: Tiia Monto.

Nem todo carboidrato do rótulo é totalmente absorvido. Fibras e polióis — os álcoois de açúcar, como maltitol, xilitol e eritritol — são digeridos só em parte. Por isso, segundo o manual da SBD:

  • carboidratos líquidos = carboidratos totais − 50% das fibras e/ou dos polióis, quando eles passam de 5 g na porção.

O exemplo do próprio manual: um alimento com 15 g de carboidratos totais e 8 g de maltitol. A conta fica 15 − 4 = 11 g de carboidratos a contabilizar.

O manual observa que os polióis se diferenciam entre si, principalmente no índice glicêmico — por isso a regra dos 50% é uma aproximação geral. Quem faz contagem de carboidratos deve combinar com a equipe de saúde como aplicá-la.

Diet não é sinônimo de liberado

O termo diet é usado em alimentos para fins especiais, como os de ingestão controlada de açúcares. Mas, como alerta a própria Anvisa em material com a Senacon, diet não quer dizer necessariamente sem açúcar — e muito menos sem carboidrato ou sem calorias. Explicamos as diferenças no artigo sobre zero açúcar, diet e light.

O que olhar no rótulo

  1. Porção: a tabela traz valores por porção e por 100 g. Compare o tamanho da porção com o que você realmente vai comer.
  2. Carboidratos: o número total, não só os açúcares.
  3. Fibras e polióis: se aparecem, entram na conta dos carboidratos líquidos.
  4. Frase de valor energético: desde a nova rotulagem, produto "sem açúcar" que não é baixo ou reduzido em calorias precisa avisar: "Este não é um alimento baixo ou reduzido em valor energético".
  5. Lista de ingredientes: mostra de onde vem o carboidrato e qual adoçante foi usado.

Edulcorantes ajudam, mas não são obrigatórios

Na nota técnica sobre edulcorantes, a SBD diz que o uso de adoçantes pode facilitar o convívio social, promover redução de calorias e dar flexibilidade ao plano alimentar — e que cabe ao profissional de saúde orientar quais são indicados em cada caso e em que quantidade. Na página sobre polióis, lembra que eles não são considerados essenciais.

No nosso site

Na página de cada doce, a tabela mostra carboidratos e açúcares separadamente, por porção e por 100 g, calculados a partir da receita. É informação de apoio — mas é a informação que permite fazer a conta. E quem procura doces com menos carboidrato encontra os que a doceria marcou em /low-carb.

Fontes

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