Tenho diabetes: o que olhar no rótulo além do açúcar
Sem açúcar não é sem carboidrato. A conta de carboidratos líquidos da Sociedade Brasileira de Diabetes, passo a passo, e o que conferir na tabela.

"Tenho diabetes. Posso comer doce?" A resposta honesta é: depende do seu plano alimentar, do seu tratamento e de quem te acompanha. Mas existe uma parte da resposta que não depende de ninguém — ler direito o rótulo. E ela começa com uma virada de chave: sem açúcar não quer dizer sem carboidrato.
Este artigo informa; ele não substitui a orientação do seu médico ou nutricionista.
Açúcar é só uma parte do carboidrato
Na tabela nutricional, "açúcares" aparece como uma linha dentro de "carboidratos". Farinhas, amidos, frutas e o próprio chocolate contribuem com carboidratos mesmo quando não há açúcar nenhum na receita.
Um brownie sem açúcar, feito com farinha de amêndoas e cacau, pode ter poucos gramas de açúcares e ainda assim uma quantidade relevante de carboidratos. É por isso que olhar só a alegação "zero açúcar" conta metade da história.
O que a Sociedade Brasileira de Diabetes ensina
A contagem de carboidratos é uma das estratégias usadas no cuidado com o diabetes, e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) mantém um manual oficial sobre ela. O manual explica um conceito que aparece muito em produtos sem açúcar: os carboidratos líquidos.
Fibras e polióis: a conta que a SBD propõe

Nem todo carboidrato do rótulo é totalmente absorvido. Fibras e polióis — os álcoois de açúcar, como maltitol, xilitol e eritritol — são digeridos só em parte. Por isso, segundo o manual da SBD:
- carboidratos líquidos = carboidratos totais − 50% das fibras e/ou dos polióis, quando eles passam de 5 g na porção.
O exemplo do próprio manual: um alimento com 15 g de carboidratos totais e 8 g de maltitol. A conta fica 15 − 4 = 11 g de carboidratos a contabilizar.
O manual observa que os polióis se diferenciam entre si, principalmente no índice glicêmico — por isso a regra dos 50% é uma aproximação geral. Quem faz contagem de carboidratos deve combinar com a equipe de saúde como aplicá-la.
Diet não é sinônimo de liberado
O termo diet é usado em alimentos para fins especiais, como os de ingestão controlada de açúcares. Mas, como alerta a própria Anvisa em material com a Senacon, diet não quer dizer necessariamente sem açúcar — e muito menos sem carboidrato ou sem calorias. Explicamos as diferenças no artigo sobre zero açúcar, diet e light.
O que olhar no rótulo
- Porção: a tabela traz valores por porção e por 100 g. Compare o tamanho da porção com o que você realmente vai comer.
- Carboidratos: o número total, não só os açúcares.
- Fibras e polióis: se aparecem, entram na conta dos carboidratos líquidos.
- Frase de valor energético: desde a nova rotulagem, produto "sem açúcar" que não é baixo ou reduzido em calorias precisa avisar: "Este não é um alimento baixo ou reduzido em valor energético".
- Lista de ingredientes: mostra de onde vem o carboidrato e qual adoçante foi usado.
Edulcorantes ajudam, mas não são obrigatórios
Na nota técnica sobre edulcorantes, a SBD diz que o uso de adoçantes pode facilitar o convívio social, promover redução de calorias e dar flexibilidade ao plano alimentar — e que cabe ao profissional de saúde orientar quais são indicados em cada caso e em que quantidade. Na página sobre polióis, lembra que eles não são considerados essenciais.
No nosso site
Na página de cada doce, a tabela mostra carboidratos e açúcares separadamente, por porção e por 100 g, calculados a partir da receita. É informação de apoio — mas é a informação que permite fazer a conta. E quem procura doces com menos carboidrato encontra os que a doceria marcou em /low-carb.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Diabetes: Manual de Contagem de Carboidratos
- Sociedade Brasileira de Diabetes: Contribuição técnico-científica sobre edulcorantes (2025)
- Anvisa e Senacon: Alimentos diet e light – entenda a diferença
- Anvisa: Instrução Normativa nº 75, de 8 de outubro de 2020 — critérios técnicos da rotulagem nutricional
Imagens
- Capa — Biswarup Ganguly, Wikimedia Commons, CC BY 3.0
- Foto no texto — Tiia Monto, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0


